Música do dia
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A talentosíssima Sil Falqueto, que criou essas ilustrações lindas do nosso novo template, agora montou uma banquinha virtual e está oferecendo a possibilidade de qualquer um de nós comprar um dos seus lindos livrinhos em branco.
Passa lá para conhecer cada coisa mais linda que a outra (é uma idéia ótima para presentes, criativo, útil, bonito e barato):
-Monix-
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Seguindo o conselho da La Outra, matriculei-me em uma das melhores, se não na melhor cadimia do bairro. Segundo ela, se o sofrimento é inevitável, que seja vivido com o máximo de conforto, se possível com algum luxo (ou algo assim). Monix tinha razão: faz toda diferença não ter que esperar a vez na esteira ou exercitar-se em aparelhos descascados e defasados. Já são muitos meses de freqüência assídua. Se não consegui emagrecer, pelo menos venci o sedentarismo - o que não é pouco.
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Logo de cara tive uma excelente impressão da cadimia: fui atendida por uma professora negra. E logo percebi que ela não é a única. Só então me dei conta que em todas as outras academias em que estive (e não foram poucas) eu nunca havia tido nenhum professor negro – a não ser na capoeira. E numa aula de…lambaeróbica. Pano rápido. Abafa o caso.
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Academia, não sei se vocês sabem, mudou muito. Não é mais lugar de gatinhas e gatões em que você, gorda ou gordo, se esconde numa camisa extra larga, torcendo pra que ninguém bote reparo em você. Ou pelo menos não é mais só isso, por uma razão simples: os velhinhos da terceira idade, que invadiram o pedaço e mudaram o clima. Pra melhor, eu diria.
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E olha, cademia é o último lugar do mundo onde eu procuraria uma paquera, se quisesse uma. Porque lá eu não posso exibir minhas idéias bem torneadas, meu raciocínio definido, minhas piadas saradas ou meu gingado balanceado. Mesmo assim, eu simplesmente não consigo entender essa onda segregacionista de academia só pra mulheres. Porque, eu já disse a vocês: eu não tô na pista, mas adoro assistir a corrida.
Helê
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Dia desses eu andava bem tristinha, e minha filha fez alguma coisa que me aqueceu. Não lembro o que foi - sorriu? apareceu na minha frente? existiu, apenas? Não me curou de todo, mas desenhou um caminho, fez entrar uma réstia de sol, empurrou um canto da cortina da tristeza me fazendo ver que a alegria continuava lá fora.
Então eu fiquei pensando nesse poder que os filhos têm de nos manter ligados à vida, esse fio terra com a esperança que eles são. Que não impede que a gente sofra nem garante felicidade eterna, isso é propaganda (enganosa) do dia das mães. Mas nos mantém conectados com o bem e o bom.
E passei a procurar metáforas, imagens pra esse bônus da maternidade. Pensei em âncora, mas me pareceu pesado demais. Antena também serve, mas a estética me desagrada. E aí pensei em pipa, esse objeto tão prenhe de poesia e ternura, e gostei. Imaginei que os filhos são aquela linha amarrada no nosso dedo, pra gente lembrar de ser feliz. Na outra ponta estão eles, como pipa no céu, acenando pra gente. E quando o amor deles se expressa e nos invade, aí somos nós a alçar vôo, livres e alegres como deveríamos ser sempre.
Helê
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*Nas últimas semanas soube de três amigos, antes solteiros convictos, que se casarão em breve. Cada um a seu modo e tempo, mas casarão. O que me fez pensar no slogan: “Casamento: você ainda vai ter um”.
*O melhor amigo do homem é o cachorro, como se sabe. Da mulher é o preto. O pretinho básico então, maior camarada, te deixa elegante sempre e às vezes quase magra.
Helê
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Ainda no terreno da música, mas agora falando de canções mais atuais: baixei o último cd da Elba Ramalho. Como não está entre os artistas que eu compro sem olhar - são poucos, na verdade - não quis arriscar. Além disso a minha religião não permite comprar cd por mais de 20 paus, a não ser pra dar de presente. E então lá fui eu fazer pesquisa, que é uma das funções do download considerado ilegal.
Bom, mas se a Elba não figura entre os favoritos, porque o interesse? O título, mais uma vez, me
arrebatou. “Qual o assunto mais lhe interessa?”, verso retirado da canção “Tempos quase modernos”, de Roberto Mendes e Capinam, é uma pergunta muitíssimo apropriada nesses dias em que vivemos bombardeados por informação. Um título instigante para um cd, moderno demais pra Elba, ou pra uma certa imagem que temos dela - por isso mesmo bacana. E eu gostei bastante, viu, capaz até de comprar quando tiver um preço justo. Elba gravou com Pedro Luís, Gabriel o Pensador e também um samba antigo da Clara Nunes e uma toada de Elomar, “Novena”, além do mestre Lenine. Um ecletismo que foi meio modinha na MPB, mas um ouvinte mais atento já poderia ter percebido na Elba, que talvez só agora tenha podido explorar como quis. Sim, porque o disco é lançado por selo dela, sem uma grande gravadora por trás - informação que explica em muito este trabalho original e em certa medida, ousado.
Eu acho que a implosão desse esquemão das gravadoras só tende a ser boa pra artistas e público – pelo menos até que as empresas se reorganizem, porque o capitalismo não brinca em serviço, logo logo se apropria dessas novas ferramentas. Enquanto isso, acho que todo mundo vai se dar bem, ou pelo menos melhor que antes. Testando pra ver se é bom, experimentando pra ver se gosta, artistas e público, surpreendendo-se, estabelecendo novas relações. Isso muito me interessa.
No site da Elba você pode ouvir essa e outras canções do disco.
Helê
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…e pra reparar essa falha na formação musical da minha sócia, curtam “A nivel de“, um clássico da MPB.
Bom finde.
(João Bosco e Aldir Blanc)
Vanderley e Odilon são muito unidos
e vão pro Maracanã todo domingo
criticando o casamento e o papo mostra
que o casamento anda uma bosta…
Yolanda e Adelina são muito unidas
e se fazem companhia todo domingo
que os maridos vão pro jogo
Yolanda aposta que assim a nível de proposta
o casamento anda uma bosta
Estruturou-se um troca-troca
e os quatro: hum-hum… oquêi… tá bom… é…
Só que Odilon, não pegando bem a coisa
agarrou o Vanderleu e a Yolanda ó na Adelina
Vanderley e Odilon bem mais unidos
empataram capital e estão montando
restaurante natural cuja proposta
é cada um como o que gosta.
Yolanda e Adelina bem mais unidas
acham viver um barato
e pra provar tão fazendo artesanato
e pela amostra Yolanda aposta na resposta
e Adelina não discorda
que pinta e borda com o que gosta
É positiva essa proposta
de quatro: hum-hum… oquêi… tá bom… é…
Só que Odilon
ensopapa o Vanderley com ciúme
e Adelina dá na cara de Yoyô
Vanderley e Odilon
Yolanda e Adelina
cada um faz o que gosta
e o relacionamento… continua a mesma bosta!
Helê
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A frase já virou uma espécie de bordão do Lula. Lá no selviço virou foi piada mesmo, a gente sempre usa pra falar de qualquer novidade. Agora, eu realmente não me lembro, na vasta e recente história de tragédias nacionais, de ver um ministro de Estado pedir perdão aos familiares das vítimas, dentro da comunidade delas. E olha que foram muitas as oportunidades: chacina da Candelária, a de Vigário Geral, o massacre no Carandiru, os meninos de Acari, Eldorado dos Carajás. Evidentemente isso não exime o Estado de todos os outros deveres e obrigações, e como o Gabeira lembrou com absoluta correção n’O Globo de hoje, “Em qualquer lugar do mundo, o comandante do Exército teria pedido demissão após uma tragédia dessas“. Mas que foi um gesto raro, corajoso e digno, ah isso foi.
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Disse-o bem, Meg, disse-o muitíssimo bem
-Monix-
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